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TRABALHO ESCRAVO: AUMENTO DE CASOS NO SUDESTE EXPRESSA MAIOR FISCALIZAÇÃO

Com o aumento da fiscalização na região sudeste, os agentes do Ministério Público do Trabalho (MTE) comprovaram que os canaviais são locais realmente propícios para a prática de trabalho análogo à escravidão. Durante o ano de 2009, 37% dos registros do MTE se refere à região, com 1.582 trabalhadores libertados dessa condição. Em 2008, foram registrados 24 casos desse tipo e, em 2007, 14 casos.

O coordenador da campanha nacional de combate ao trabalho escravo, Frei Xavier Plassat, explica que o aumento se deu em razão de uma atenção maior ao setor canavieiro pelo grupo móvel de fiscalização e pelas superintendências regionais.

"Essa atividade costuma recrutar mão-de-obra em regiões afastadas, ou seja, de uma população migrante, longe de suas referências de origem e, portanto, mais exposta a situações de exploração. Ora, quando se fiscaliza um canavial, não costumam encontrar cinco, 15 pessoas, mas 50, 150 ou mil pessoas."

No início deste ano, a Cosan, conseguiu retirar seu nome da "lista suja", mesmo após ter sido comprovada o uso de mão-de-obra escrava na unidade de Igarapava (SP). Na época, a maior sucroalcooleira do país contou com o apoio do Ministério da Agricultura ao alegar que a culpa era da prestadora de serviços, José Luiz Bispo Colheita - ME.

"A gente sabe que existe contradições dentro do governo em relação ao combate do trabalho escravo. Uns consideram que no agronegócio tudo é permitido - pois contribui com a balança comercial do país, já outros consideram que não tem heroísmo em práticas criminosas."

 Aline Scarso

Fonte: Radioagência NP

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