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JÚRI DE ACUSADO DE MATAR DOROTHY STANG É ADIADO POR AUSÊNCIA DE ADVOGADO

por Pietra Soares última modificação 31/03/2010 11:33

O Tribunal de Justiça do Pará adiou o júri de Vitalmiro Moura, o Bida, para 12 de abril. Acusado de matar em 2005 a missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, Bida seria julgado hoje.

De acordo com o TJ, o adiamento foi motivado pela ausência de advogado de defesa, Eduardo Imbiriba. O juiz Raimundo Moisés Flexa designou o defensor público Alex Noronha para defender Bida na próxima sessão de júri popular.

Para a Promotoria, a ausência do advogado foi uma manobra para adiar o julgamento. Em carta, ele alegou ao Tribunal que primeiro aguardaria julgamento de habeas corpus impetrado no STF (Supremo Tribunal Federal) --sem efeito suspensivo-- para depois comparecer à sessão de júri popular de Bida.

Esse seria o terceiro julgamento de Bida. Ele foi condenado num primeiro julgamento a 30 anos de reclusão, mas absolvido no segundo júri. O segundo julgamento foi anulado posteriormente a pedido do Ministério Público.

Bida está preso desde fevereiro depois da 5ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) cassar o habeas corpus que permitia que ele aguardasse o julgamento em liberdade.

Nova denúncia

Reportagem da Agência Folha informa que principal prova a favor de Bida foi feita sob ameaça de violência e ao custo de R$ 300 mil. Isso é o que indicam as declarações de dois condenados pela morte da missionária.

De acordo com a reportagem, a Promotoria usaria no julgamento de hoje uma carta escrita à mão por Amair Feijoli da Cunha, o Tato, já condenado pelo crime.

Na carta, Tato afirma que vinha recebendo "muita pressão" do fazendeiro e que, se não corroborasse a versão da defesa, não iria ficar "vivo na cadeia".

Diz também que, "para ajudar" o fazendeiro, participou de "uma fita gravada com um repórter [...] que veio aqui. Eu fiz isso porque eu fiquei com medo". "A verdade é que ele [Bida] mandou o Rayfran [das Neves, outro condenado] matar a irmã Dorothy", escreveu.

A outra declaração é o depoimento de abril do ano passado dado por Clodoaldo Carlos Batista, que estava com Rayfran no momento em que este atirou em Stang. Clodoaldo cumpre 17 anos de prisão por participação na morte.

Segundo disse, a gravação que absolveu Bida "custou R$ 300 mil, sendo uma terra no valor de R$ 150 mil [no sul do Pará], dois carros [um deles no valor de R$ 30 mil] e mais uma quantia R$ 12 mil".

De acordo com Clodoaldo, todos os bens foram entregues à mulher de Tato por um funcionário de Bida. Clodoaldo afirmou também que os valores e a negociação foram relatados a ele pelo próprio Tato.

Fonte: Folha Online

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