Você está aqui: Página Inicial Divulgação “MUNDO URBANO E DESAFIOS PARA A AÇÃO EVANGELIZADORA” É TEMA DE ESTUDO DOS LEIGOS DA DIOCESE DE SANTOS

“MUNDO URBANO E DESAFIOS PARA A AÇÃO EVANGELIZADORA” É TEMA DE ESTUDO DOS LEIGOS DA DIOCESE DE SANTOS

por Pietra Soares última modificação 09/11/2009 16:38

De 3 a 5 de novembro, em Santos (SP), 250 agentes de pastorais da diocese participaram da Jornada de Estudos Teológicos dos Leigos, promovida pelo Conselho Diocesano de Leigos (Codilei). O tema do encontro, “Mundo urbano e desafios para a ação evangelizadora”, foi apresentado pelo padre Alfredo J. Gonçalves, provincial dos padres Carlistas e ex-assessor da CNBB para as Pastorais Sociais.

“Urbano é um conceito cultural, globalmente disseminado, é um estilo de vida, um jeito de viver, com seus códigos, símbolos, linguagens, e não um conceito apenas geográfico. É preciso ter isso claro, como ponto de partida, para entender os novos desafios e as implicações para nossa ação pastoral”, disse o padre Alfredo.

O conceito e as principais características do mundo urbano foram apresentadas pelo padre Alfredo em contraposição ao ‘mundo rural’, para que pudessem ser evidenciadas as diferenças culturais de um e de outro universo: “Isso não quer dizer que um é melhor do que o outro; que um só tem coisa boa e o outro só tem coisa ruim. Isso quer dizer que são diferentes e que as diferenças precisam ser entendidas para que a ação pastoral seja eficaz. Caso contrário, seremos igrejas de portas abertas e vazias”, alertou.

E dentre as principais características do mundo urbano que mais tem impactado a ação pastoral, destacam-se: o dinamismo, com a necessidade de novidades (tudo muda muito rápido, informação instantânea); mosaico de disparidades sociais, culturais (provocando justaposição de pessoas, grupos ou situações, porém desconexas); multidão anônima e solitária (estamos juntos, mas não nos conhecemos; perda do sentido de identidade e, ao mesmo tempo, busca de um sentido, de onde a importância do grupo, da pequena comunidade, da casa, da ‘tribo’); espetacularização da vida, principalmente nos meios de comunicação (inclusive a religião, mascarando a vida ‘real’); e o pluralismo (culturas, povos, religiões, linguagens, necessidades, maneiras de viver, possibilidades de expressões, entre outras”.

Igreja no mundo urbano

Em relação à ação pastoral da Igreja no ambiente urbano, padre Alfredo lembra que ainda somos herdeiros de uma metodologia pastoral que remonta à Idade Média, com uma visão de mundo baseada na geografia do feudo: “Entretanto”, continua padre Alfredo, “desde a Revolução Industrial, em meados do século XVIII, as sociedades passaram a viver um novo conceito de tempo, baseado no ritmo das máquinas, dos trens, dos relógios, da produção, desencadeando novos processos que impactaram e modificaram profundamente todos os aspectos da vida, inclusive a religiosa”.

Dentre as mudanças que mais impactam a vida da Igreja no ambiente urbano estão: religião como escolha pessoal e não mais como herança familiar (com isso, perde-se também o vínculo com a Instituição, favorecendo o ‘trânsito religioso’; novas modalidades de organização familiar, muitas das quais fora do conceito de família defendido pela Igreja; a multiplicação de ofertas de serviços religiosos (o ‘consumidor’ escolhe o ‘serviço religioso’ que melhor se adéqua às suas necessidades.

 

Pistas para a pastoral no mundo urbano

Então, diante de um quadro tão complexo, o que a Igreja deve fazer? “Bem, como os Evangelhos não foram escritos para o mundo urbano, a primeira coisa a fazer é entender o que Jesus queria (a que veio), o que falava, o que fazia, como fazia e por que fazia. A partir daí, como discípulos de Jesus, a exemplo de Paulo, fazer a ‘tradução’ para o mundo urbano ou para qualquer realidade que se apresente”, explica padre Alfredo.

O ‘programa de Jesus’ (a que veio) pode ser encontrado logo nas primeiras aparições de Jesus em público: “Ele vem dizer que o Reino de Deus havia chegado e convidar as pessoas a se converterem ao Reino. No coração do projeto de Jesus está o Reino de Deus (Jesus é o Caminho) e no coração do Reino de Deus estão os pobres”.

Por sua vez, a prática de Jesus explicita essa mensagem sem deixar margem para interpretações ambíguas ou esquizofrênicas: “Jesus é sempre encontrado em três ambientes: na montanha (ou no deserto), entre amigos (em casa, à mesa), e ‘no caminho’ (percorrendo as cidades, as aldeias). Ou seja, quanto mais profundo o contato de Jesus com o Pai, quanto mais profunda a intimidade na oração, na montanha, mais profunda a amizade com seu discípulos, mais compromisso com os pobres do caminho. E quanto mais ouve e conhece os pobres do caminho, mais precisa da comunidade, mais precisa do contato com o Pai para se fortalecer. Não há dicotomia na vida de Jesus. Essas realidades não são dissociadas, estão perfeitamente integradas”.

Fonte: CNBB

Ações do documento