REVISTANDO O CONCÍLIO VATICANO II
Neste Carnaval de 2010, participei em Natal, nos dias 13, 14 e 15, de
mais um encontro de reflexão e debate de ex-alunos do Colégio Pio
Brasileiro de Roma e da Universidade Gregoriana, sobre pontos
importantes do Concílio Vaticano II e sua repercussão na realidade
pós-conciliar assim como as experiências vividas por cada um dos nossos
companheiros espalhados por este Brasil afora.
Momentos de grande satisfação de lembranças tão importantes daquele
evento que serviu de adequação (aggiornamento) da Igreja aos tempos
modernos, bem como de realização da experiência existencial de cada um
de nós no decorrer destas quatro últimas décadas. Experiências
riquíssimas de ação solidária em prol das comunidades onde vivem e
atuam.
Alguns itens do Concílio foram revisitados e debatidos. O grande
mérito do papa João XXIII e do próprio Concílio Vaticano foi repensar a
Igreja de Deus para os tempos modernos. A Igreja é o povo de Deus. O
batismo é o sacramento fundante do povo de Deus. Criados à imagem e
semelhança de Deus, somos todos iguais e irmãos na fé de Cristo.
Outro item importante é o da colegialidade. Hoje cada país tem sua
conferência nacional de bispos que define a pastoral para os seus fiéis.
Sabemos o quanto a CNBB trabalha no seu papel de evangelização, bem
como na luta pela melhoria socioeconômica e cultural do povo brasileiro.
A ação ecumênica da Igreja, presente na Campanha da Fraternidade de
2010, é um item sempre presente na ação da Igreja nos tempos atuais. Os
cristãos em parceria trabalham em prol do bem comum e do próprio
desenvolvimento integral do Brasil.
Parte do tempo do encontro foi reservado para uma análise da
conjuntura nacional.
Dentro da crise financeira ocorrida em 2009, constatou-se que o
fosso entre ricos e pobres é cada vez maior, e as medidas em andamento
vão no sentido de reforçar o modelo que existe. Por isso, faz-se
necessária a reforma do papel do Estado para que possa ter mecanismos de
controle do mercado. Não a ponto de sufocar as iniciativas
empresariais, financeiras e econômicas do segundo setor, mas para que
não prevaleça a teoria do ``laisser faire``, do vale-tudo da busca do
lucro pelo lucro.
A crise chamou a atenção para o desperdício de recursos materiais e
humanos, sobretudo com constantes guerras entre pessoas, culturas e até
mesmo entre religiosos.
Outro destino há de ser dado aos bens materiais que devem ser
canalizados em prol do bem coletivo. Que a cultura da sobriedade e da
solidariedade seja incentivada e implantada por meio de associações. As
ações cooperativadas sejam disseminadas dentro das comunidades.
O modelo de desenvolvimento vigente no País que se firmou depois da
Constituição de 1988, sobretudo nestas duas ultimas décadas, caminha
para seu esgotamento, fazendo-se necessário pensar em novo modelo para a
fase pós-Lula, quando o grande desafio é o desenvolvimento global,
integral, em que saúde e educação sejam partes integrantes e que se
diminua a marginalização de tantos.
A multiplicidade de partidos políticos (27) e sua conseguinte
fragilidade faz da política um comércio. Legendas e legendas são
negociadas, e poucos partidos têm ideologia e programas próprios e de
ações bem definidas. A Reforma política é mais do que nunca urgente, ela
é a reforma das reformas.
Esses e outros assuntos foram debatidos no encontro de Natal, que
foi coordenado pelo casal Otto Santana e Juciara Fernandes coadjuvados
pelos padres José Oscar Beozzo, Virgilio Leite Uchoa e José Ernanne
Pinheiro. Dentre os participantes, destacamos dom Cristiano Krapf bispo
de Jequié (BA), dom Luiz Demétrio Valentini, de Jales (SP) e o arcebispo
de Natal, dom Matias, além de padres, monsenhores (12) e
ex-seminaristas (24), hoje, desempenhando funções de professores,
diretores de escolas superiores, reitores, consultores e dirigentes de
empresas, notadamente, no âmbito de serviços.
Professor Teodoro Soares - Deputado estadual
Fonte: O POVO - CE

