Do “impeachment” de Dilma à prisão de Lula: o golpe continua. Artigo de Ivo Lesbaupin

Ivo Lesbaupin, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e membro da ONG Iser Assessoria, do Rio de Janeiro. É doutor em Sociologia pela Université de Toulouse-Le-Mirail, França. É autor e organizador de diversos livros, entre os quais O Desmonte da nação: balanço do governo FHC (1999); O Desmonte da nação em dados (com Adhemar Mineiro, 2002); Uma análise do Governo Lula (2003-2010): de como servir aos ricos sem deixar de atender aos pobres (2010).

Eis o artigo.

Os antecedentes

Em junho de 2013, há uma explosão de insatisfações: a partir de manifestações lideradas pelo Movimento do Passe Livre (MPL) contra o aumento dos transportes em São Paulo e da forte repressão que ocorreu, explodem por todo o país manifestações de protesto. A reclamação era sobretudo por políticas sociais de qualidade – transporte, saúde, educação – em comparação com os gastos excessivos para a Copa do Mundo. Os jovens foram a grande maioria dos participantes em tais manifestações e não havia direção explícita. Governo e boa parte da esquerda foram pegos de surpresa com os protestos e demoraram a responder. Nas semanas seguintes, pouco a pouco, a direita aproveitou para colocar sua pauta, de luta contra a corrupção, de “rejeição aos partidos políticos”, etc.

A partir de março de 2014 inicia-se a Operação Lava Jato, liderada pelo juiz Sérgio Moro, que deveria ser uma ampla investigação sobre a corrupção no Brasil. Esta Operação leva à prisão, pela primeira vez, grandes empresários (de empreiteiras). E os governos Lula e Dilma são denunciados como tendo montado um grande esquema de corrupção no país.

As eleições presidenciais de 2014 são muito polarizadas. As denúncias da Lava Jato são usadas na campanha. Cresce um clima de ódio, tanto de um lado como de outro.

A direita não aceita o resultado eleitoral e começa uma campanha de deslegitimação da presidente eleita. Fala-se, desde o início, em “impeachment”. Com forte apoio da grande mídia – Globo em primeiro lugar -, seguem-se manifestações de rua que vão aumentando, liderados por movimentos como o MBL (Movimento Brasil Livre), o Vem para a Rua e outros. Os movimentos sociais de trabalhadores também saem à rua, para defender o processo democrático, mas não são tão bem sucedidos.

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Fonte IHU

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