Skip to content

Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Câmara - CEFEP

Personal tools
You are here: Home » Escolas de Fé e Política » PROGRAMA DE FORMAÇÃO PARA A AÇÃO SOCIAL - FAS

PROGRAMA DE FORMAÇÃO PARA A AÇÃO SOCIAL - FAS

Document Actions
         O Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social (SARES) é de um grupo de pessoas, preparadas em diversas áreas das ciências sociais, dispostas a colocar suas capacidades a serviço dos grupos, organizações, comunidades e movimentos populares da Região Amazônica. A equipe trabalha no intuito de aprimorar a compreensão das problemáticas sociais, com as quais essas instâncias se defrontam cotidianamente e de acompanhar sua prática, construindo juntos novas alternativas sociais.

         O Programa de Formação para a Ação Social (FAS), nasceu a partir da preocupação do SARES com a formação de lideranças que atuam nos Movimentos Sociais em Manaus. Partindo de um levantamento, detectou-se uma grande carência de uma formação mais sistemática e articulada no campo político, social e religioso.

        Apesar da experiência positiva das Escolas de Formação Fé e Política, que funcionam, de forma descentralizada, nas periferias de Manaus, percebia-se a necessidade de uma nova proposta de formação. Partindo deste diagnóstico, foi criado o FAS, que teve grande aceitação e despertou o interesse de muitas organizações e pastorais sociais, dispostas a investir na formação e capacitação de seus membros.

         Trata-se de um programa de formação voltado para pessoas já engajadas nos Movimentos Sociais (organizações populares, conselhos comunitários, sindicatos, associações, pastorais sociais, etc), dispostas a aprofundar a própria práxis sócio-política, enriquecendo-a com o intercâmbio de outras experiências e o aporte teórico advindo das Ciências Sociais Aplicadas.

         A primeira turma do FAS iniciou seus encontros em julho de 2004 e seguirá até julho de 2006, num rodízio de participação cíclica. Segue a proposta de perfazer um total de 430 (quatrocentas e trinta) horas-aula, distribuídas em quatro períodos consecutivos (de agosto a dezembro e de fevereiro a junho). No total, estão previstos 120 (cento e vinte) encontros, transcorridos todas as terças e quintas-feiras, das 19:00h às 22:00h e mais 05 (cinco) seminários, de planejamento e avaliação, realizados em finais de semana.

       Os(as) participantes do FAS provêem de pastorais sociais (juventude, idosos, crianças), organizações indígenas, rádio comunitária, conselhos (comunitários,  tutelar da criança e do adolescente), associações de moradores, sindicatos, fóruns sociais e de políticas públicas, instituições sócio-educativas, grupos de defesa dos direitos humanos, movimentos sociais (indígenas, mulheres, etc.) e muitos outros espaços de participação popular. Para a primeira etapa do curso, foram selecionadas uma média de 30 (trinta) pessoas, tendo como critério o seu grau de participação, comprometimento social e o anseio por novos conhecimentos. 

         Desde o inicio, o programa de formação se estruturou a partir de uma dinâmica participativa, envolvendo uma equipe múltipla de assessores, num intercâmbio direto com os(as) participantes que vêm contribuindo com todo o processo de organização e o andamento do curso.

        As temáticas (distribuídas em módulos) sugeridas para aprofundamento durante o curso são pensadas a partir da realidade Amazônica, da práxis dos(as) participantes e dos aportes teóricos da história,  antropologia, sociologia, política, economia, meios de comunicação, direito, religiões, metodologia do trabalho popular, análise de conjuntura e outras, que melhor contribuem para o programa de formação. Cada temática apresentada é enriquecida com as sugestões dos(as) participantes, que apontam sugestões de como organizar as ementas, estabelecendo uma estreita relação com a prática cotidiana.

        O FAS está vinculado à Universidade Federal do Amazonas (UFAM) como projeto de extensão do Departamento de Ciências Sociais, sendo reconhecido pela Pró-reitoria de Extensão como projeto de intervenção social. A parceria com a UFAM compreende também de um grande número de colaboradores do FAS (assessores) que são professores desta instituição. Além dos professores da UFAM, o FAS conta com a colaboração de assessores ligados a outras instituições de pesquisa, de direitos humanos, etc.

          Os(as) participantes do FAS colaboram de forma efetiva também no desenvolvimento de cada encontro.  Para isso, foram organizadas as “equipes de apoio pedagógico”. Essa forma de participação foi definida por um “contrato pedagógico” pelo qual foram alçados, discutidos e definidos todos os elementos do processo de formação ora apresentados na condição de propostas: as expectativas, objetivos, estratégia metodológica, resultados almejados, etc.

         O fato de ser um “contrato pedagógico” indica, também, a discussão e a oportunização de um processo participativo e construtivo, onde se valorizem as relações interpessoais e as competências de cada participante. Nesta dinâmica, emerge o desafio constante de sintonizar o discurso acadêmico e científico dos(as) assessores(as), com a forma de conhecimento que os participantes apresentam em certas áreas. Essa tarefa não é fácil! Por outro lado, a riqueza e diversidade de atuação dos participantes, promove um verdadeiro intercâmbio de experiências com os assessores(as)  e entre os próprios movimentos sociais aí representados.

        No “contrato pedagógico”, se definiu um sistema de rotatividade, que visa promover a participação de todos(as) em cada uma das atividades previstas nas equipes de trabalho:

I – Equipe de Coordenação: é responsável pelo conjunto da turma. Cuida do local, da acolhida e apresentação dos(as) assessores(as) e do horário de funcionamento de todas as tarefas; fornece infra-estrutura e acompanha o desempenho das outras equipes de apoio pedagógico; cria condições de interação e integração entre participantes, assessores e a coordenação do SARES. Também fica encarregada de promover, na medida das possibilidades, seminários, debates ou encontros de discussão extra-classe (fora dos encontros já programados), para se aprofundar algum tema importante referente à conjuntura atual

II – Equipe de Registro-memória: elabora o registro da síntese diária dos conteúdos de cada encontro a fim de promover sua memória constante e socializá-la entre todos os participantes e assessores.

III – Equipe de Animação: encarrega-se de promover atividades para “elevar os ânimos” da turma, de modo a facilitar a construção de um saber comum. É encarregada também de realizar acolhida aos colegas participantes e assessores de cada encontro; de desenvolver dinâmicas criativas de entrosamento; de elaborar, juntamente com os participantes, um calendário de atividades recreativas comemorativas (aniversários, passeios, etc) e culturais e ainda, preparar a ornamentação ou ilustração do ambiente conforme temática de cada dia;

IV – Equipe de Avaliação: é responsável pela tarefa de  aprimorar, continuamente, o objetivo de construir conhecimento coletivo. É uma atividade permanente e processual muito importante que não deve ser reservada apenas para o final do curso. Desenvolve-se a partir da metodologia participativa e do critério da crítica construtiva.

         Nas avaliações constantes, os participantes do FAS têm demonstrado que estão passando por um processo de grande crescimento pessoal, que tem seus reflexos no fortalecimento dos Movimentos Sociais a que estão vinculados. Em alguns recortes, da avaliação do primeiro período (ocorrida em 05/12/04), os grupos evidenciam este processo: “Estamos percebendo a importância de se alcançar um maior conhecimento para uma melhor atuação”; “O curso está nos ajudando a compreender melhor a sociedade numa visão mais crítica e mais politizada e, com isso, podemos identificar melhor as ferramentas de transformação”; “O FAS é um espaço aonde exercitamos as diferentes práticas de democracia, que podemos repassar a outros grupos em nossa atuação”.

         No entanto, no decorrer do curso, vêm surgindo muitas dificuldades. Como a maioria dos participantes está envolvida com as atividades de seus movimentos, com seu trabalho profissional, com suas famílias, nem sempre é fácil conciliar o tempo com o curso. Essa realidade tem provocado muitas ausências, dificuldade com a pontualidade, com aprofundamento da leitura atualizada, da escrita, do acompanhamento personalizado, o bom funcionamento das equipes e muitas outras limitações que vão emergindo.

        Sempre que possível, a equipe de coordenação do SARES acompanha a atuação dos participantes do FAS no seu campo de trabalho social. Esse acompanhamento tem promovido uma interação permanente entre o FAS e os movimentos sociais com suas lutas, suas dificuldades, seus limites e suas esperanças.

        A partir dos resultados desta primeira etapa e retomando o objetivo de estender o Programa de Formação para a Ação Social para outras localidades, há uma grande perspectiva, por parte do SARES, em iniciar esse processo ainda no decurso deste ano (2005). Nesse sentido, já existem alguns municípios do interior do Amazonas, que estão organizando ou reformulando suas Escolas de Formação Política, e contam com a assessoria do SARES.
Created by sidney
Last modified 08/08/2005 14:33