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Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Câmara - CEFEP

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Aprendendo com a experiência: a Escola Fé e Política “Pe. Humberto Plummen”

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        Com objetivo principal de contribuir, à luz da Palavra de Deus, da Doutrina Social da Igreja e das Diretrizes Gerais da CNBB, para a transformação dos corações e das estruturas da sociedade em que vivemos, articulando as diferentes pastorais sociais, movimentos e entidades regionais em torno de uma ação social que fortaleça e promova a cidadania ativa de seus agentes e militantes para a intervenção no campo das Políticas Públicas e para a construção de uma sociedade solidária, o Reino de Deus, o Setor Pastoral Social (SPS) desenvolve diferentes atividades, especialmente ligadas à questão da articulação daqueles e daquelas que fazem a ação social no regional.
        A partir do ano de 2003, dentre várias ações, o SPS começou a dar passos concretos buscando a elaboração de uma proposta pedagógica de uma Escola de Fé e Política, capaz de responder às necessidades da formação em nível regional, pretendendo com isso:

* Capacitar agentes nas dioceses do Regional para atuarem nas Pastorais Sociais e intervirem na vida política a partir de princípios éticos e valores evangélicos;
* Contribuir na formação de lideranças para o exercício da cidadania ativa e do controle social e na formação de assessores políticos para as comunidades cristãs, entidades e movimentos sociais;
* Alimentar a mística cristã dos agentes e militantes, para a sua atuação na sociedade civil e nas suas organizações;
* Fortalecer a articulação do SPS, através de uma presença mais qualificada junto às Dioceses;
* Divulgar as ações e atividades realizadas pelo SPS nacional e regional.

        Entendendo a fecundidade e a potencialidade das experiências significativas desenvolvidas nas Dioceses, Sindicatos, Organizações Não Governamentais (ONG´s), Igrejas e Universidades presentes no Regional, o SPS organizou, ainda em 2003, um mapeamento das ações ligadas à formação na área da Fé e da Política , buscando recuperar e dialogar com a memória subversiva e o potencial transformador destas experiências.
        Assim, passos foram sendo dados e o desafio de propor uma Escola de Fé e Política para o Regional foi enfrentado com seriedade e ousadia. A idéia original, há muitos anos sonhada por pessoas como Pe. Humberto Plummen , Dom Tiago Póstma e Dom Antônio Soares Costa, ficou acalentada e adormecida até que a 12ª Assembléia do SPS, ocorrida no mês de fevereiro de 2003, decidiu torná-la uma prioridade.        
        Naquele momento, apesar da grande motivação, faltava ao SPS clareza dos rumos a serem seguidos e, principalmente, recursos humanos e financeiros que viabilizassem a proposta.
        Mas, apostando nessa idéia o SPS encontrou parceiros importantes que assumiram as adversidades do percurso. A Cáritas Brasileira e o Conselho Indiginista Missionário (CIMI), presentes e ativos em todas as iniciativas do Setor, juntamente com as demais Pastorais Sociais e toda a Coordenação Regional, demonstraram tenacidade ao levar a cabo mais este desafio.
        Na Catholic Relief Services (CRS), o Setor encontrou o apoio e o suporte financeiro de que precisava. Na realidade, o SPS já desenvolvia em parceira com a CRS projetos diversos, especialmente voltados para as políticas públicas, de modo que a proposta da Escola veio a consolidar a parceria já existente.
        Além das instituições mencionadas, o sonho da Escola só se tornou realidade graças ao entendimento com as dioceses, que contribuíram na viabilização da infraestrutura necessária à realização dos Módulos.
Reconhecemos também a importância fundamental do aporte de Misereor que, mesmo não apoiando diretamente as atividades da Escola, contribuiu para a sua realização ao garantir a liberação de um secretário e de um articulador para o Setor, além de outras atividades como assembléias e seminários e a manutenção da secretaria do SPS, na sede da CNBB Regional.
        Enfim, depois de uma longa caminhada, formatamos uma proposta pedagógica e, de 05 a 07 de março de 2004, na cidade de Palmares, reunindo 47 alunos das nove dioceses de Pernambuco, iniciamos o 1º Módulo, abordando, por um lado, o Projeto de Evangelização da Igreja do Brasil (“Queremos ver Jesus – caminho, verdade e vida”) e, por outro, aprofundando os conceitos de fé e política e as experiências existentes no Brasil com essa metodologia. O Pe. Ângelo Vicente, de Palmares, ajudou-nos com a conjuntura, enquanto o Professor Alder Júlio F. Calado (UFPB) trabalhou os conceitos fé e política e o articulador do SPS, Arivaldo J. Sezyshta, o Projeto de Evangelização e as experiências existentes no Brasil com a metodologia fé e política.
         Em Alagoas esse mesmo Módulo ocorreu na cidade de Arapiraca, de 26 a 28 de março, com a presença de 49 alunos das três dioceses do estado, com assessoria do coordenador de pastoral da Arquidiocese da Paraíba, Pe. Virgílio Almeida (conjuntura e conceitos) e do articulador do SPS (Projeto de Evangelização e experiências de fé e política). Essa mesma assessoria contribuiu no 1º Módulo na cidade de Pombal (Diocese de Cajazeiras), reunindo 58 alunos das cinco dioceses da Paraíba e de duas dioceses do Rio Grande do Norte.
        Os demais Módulos seguiram a mesma lógica, repetindo-se em três estados, com os mesmo alunos que, dessa forma, acompanharam a experiência de uma escola móvel.
        O 2º Módulo teve por tema “A caminhada do povo de Deus”, abordando, de forma especial, a história dos movimentos sociais e a Doutrina Social da Igreja. Em Pernambuco o encontro foi na cidade de Triunfo (Diocese de Afogados da Ingazeira), de 23 a 25 de abril, com assessoria de Flávio Dinoá (UFPB), sobre movimentos sociais, do secretário regional da Cáritas Brasileira, José Hamilton da Costa (Doutrina Social da Igreja) e do articulador do SPS (conjuntura). Em Alagoas o 2º Módulo, com a assessoria a cargo do articulador do SPS, ocorreu em Palmeira dos Índios, de 21 a 23 de maio. Na Paraíba foi de 14 a 16 de maio, em Campina Grande , com assessoria da Professora da UFPB, Wilma Martins de Mendonça (movimento social), do coordenador pastoral da Diocese de Cajazeiras, Pe. Ernaldo José de Souza (Doutrina Social da Igreja) e do articulador do SPS (conjuntura). 
        O 3º Módulo abordou a temática “Instrumentos para o exercício da cidadania ativa” e contou com a assessoria da Professora Verônica Pessoa (UEPB), que abordou o sub-tema “metodologia aplicada à pastoral popular” e de José Hamilton da Costa, que, contando com a contribuição de alguns alunos da Escola que atuam em diferentes conselhos estaduais ou municipais, abordou o sub-tema “Políticas Públicas e Controle Social”. Em Pernambuco o encontro ocorreu na cidade de Salgueiro (Diocese de Petrolina), de 04 a 06 de junho. Em Alagoas foi de 09 a 11 de julho, em Maceió. Na Paraíba, foi na cidade de Araras (Diocese de Guarabira), de 23 a 25 de julho.  
        O 4º Módulo, chamado de “Por uma pedagogia da inclusão”, ocorreu em Pernambuco na cidade de Caruaru, de 20 a 22 de agosto, com assessoria de Pe. Sivonaldo Pedro de Oliveira (sub-tema “Bíblia, Jesus, Reino e Política”) e José Hamilton da Costa (sub-tema “Eleições municipais – combate à corrupção eleitoral”). Em Alagoas e na Paraíba a assessoria foi de José Hamilton da Costa: na cidade de Penedo, de 17 a 19 de setembro e na cidade de Patos, de 24 a 26 de setembro. 
        O 5º Módulo, em preparação aos diferentes fóruns sociais (estaduais, regional e mundial), abordou o tema “um outro mundo é possível”, sob a ótica dos povos indígenas. Assessorado por dois missionários do Conselho Indiginista Missionário (CIMI), Otto Cabral Mendes Filho e Roberto Saraiva, os encontros aconteceram em Garanhuns – PE (15 a 17 de outubro), Palmeira dos Índios – AL (05 a 07 de novembro) e Caicó – RN (19 a 21 de novembro).
        O encerramento da Escola reuniu 145 alunos dos quatro estados (somando os que chegaram até o final do curso e os que, mesmo não tendo participado de todos os módulos, compareceram para o encerramento), em um festivo encontro Regional de Avaliação e Confraternização, em João Pessoa – PB, de 10 a 12 de dezembro de 2004.
       A Escola Fé e Política Pe. Humberto Plummen, em 2004, contou com a participação de 154 alunos. Destes, 132 chegaram a concluir o curso (86%), somando um percentual de 14% de desistentes (22 alunos).
        Com vistas a ilustrar o perfil dos participantes da Escola, traçamos um breve perfil do grupo, explicitando aspectos que julgamos relevantes.
        O primeiro dado aponta para um equilíbrio entre homens e mulheres, identificando que 51,3% dos participantes, ou seja, 79 pessoas erma mulheres, enquanto que 48,7%, cerca de 75 alunos, eram homens.
        O segundo mostra a variação da participação considerando a idade. Nele, evidenciamos uma diversidade no perfil do grupo, com destaque à faixa etária de 26 a 35 anos, aproximadamente 31%.
        Consideramos também, em nossa análise, a forma como se dá a inserção dos alunos no trabalho pastoral e comunitário. Há uma predominância na presença de leigos e leigas, com 91%.
         Quanto à questão da escolaridade, a maior parte dos alunos situa-se entre o 2º Grau completo, com 35%, e 3º grau completo, com 31% dos participantes. 
        Em síntese, o grupo possui um perfil bastante heterogêneo, também no que se refere à inserção em âmbito pastoral, especialmente nas Pastorais Sociais. O compromisso, a vontade de acertar e a dedicação ao estudo, é marca desta primeira turma. Não é possível deixar de mencionar a alegria e o prazer demonstrados nos momentos das atividades culturais, tornando os encontros mais festivos, a cada novo Módulo. Tudo isto, serviu para demonstrar, na prática, a teoria do educador Rubem Alves, de que é possível aprender com alegria.
        A fecundidade das experiências desenvolvidas pelos participantes nas Dioceses, Sindicatos, Pastorais, Igrejas, entre outros, vislumbra o alcance de um trabalho desta natureza. Articular os trabalhos pastorais, apostar na formação de novos quadros ou ainda potencializar os já existentes foi a intenção da Escola.                 Acreditamos que, uma formação pautada na relação equilibrada entre teoria e prática – estudo dos módulos, associado ao compromisso do repasse – representa a multiplicação de saberes e atitudes para além das dimensões que poderiam ser previstas.
        Ao ouvir os relatos e analisar a produção dos alunos, parte dela constante nesta agenda, vamos tomando consciência da contribuição da Escola para com aqueles e aquelas que se dedicam à política a partir da sua fé, na missão de construir um novo Brasil, um novo mundo.
        A Escola de Fé e Política “Pe. Humberto Plummen”, na certeza de que sua missão está apenas começando, está contribuindo para o nascimento do Centro Nacional Fé e Política “Dom Helder Câmara”, com sede em Brasília, que foi inaugurado em fevereiro de 2005.
Sintam-se convidados a nos ajudar a escrever esta nova página da história que já se inicia, pois como já nos dizia Dom Helder Câmara, “É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca”.      

DADOS  DE  2005

•  05 turmas distribuídas no regional (2 em Pernambuco, 1 em Alagas, 1 na Paraíba e 1 no Rio Grande do Norte)
• 192 aluno/as


OBJETIVO GERAL

        Contribuir com a formação no campo da fé e da política a partir de uma reflexão teológica, bíblica e ética, despertando uma consciência crítica e transformadora, para a construção de uma sociedade pluriétnica, pluricultural, justa, humana e solidária, promotora da cultura e da Paz.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1. Proporcionar a formação de agentes de pastoral e lideranças visando a prática dos princípios evangélicos e éticos;

2. Oferecer condições para um discernimento da missão do ser igreja;

3. Despertar e fortalecer o protagonismo dos participantes;

4. Favorecer a inculturação da ação pastoral na vida das comunidades;

5. Valorizar o papel profético das novas gerações, na perspectiva da cultura da Paz;

6. Estabelecer espaços de reflexão em interação com o Centro Nacional Pé e Política Dom Helder Câmara;

7. Alimentar a mística cristã e a espiritualidade libertadora;

8. Fomentar o profetismo na perspectiva da Evangelização Popular;

9. Orientar e valorizar a participação consciente para o exercício do controle social nas políticas públicas;

10. Formar mulheres e homens multiplicadoras/es no campo da Fé e da Política, considerando o diálogo inter-religioso;

11. Contribuir na realização da 4ª Semana Social Brasileira (4ªSSB).


CRITÉRIOS DE PARTICIPAÇÃO

1. Compromisso com a construção da Paz (acreditar na paz, amar a paz que é fruto da justiça);

2. Disponibilidade de tempo: assumir o compromisso de participar de todos os módulos;

3. Sensibilidade social: agentes abertos ao diálogo e engajados nas práticas evangélicas libertadoras, em comunhão com a proposta da Escola;

4. Repasse dos conteúdos: o/a participante assume o compromisso com o repasse dos conteúdos na base;

5. Pontualidade: início sempre nas sextas-feiras às 18h e término sempre aos domingo às 13 horas;

6. Senso de responsabilidade: executar tarefas sugeridas pela coordenação e assessoria da Escola (leituras, visitas, pesquisas, trabalhos escritos).

OBS: Todas as situações não previstas nestes critérios, serão encaminhadas pela coordenação.


* Parte dos resultados desse mapeamento foi publicado na forma de cartilha, sob o título “Escola Fé e Política – diagnóstico da formação no Regional Nordeste 2”.
* Todas as pessoas que participaram do processo de formatação da proposta pedagógica da Escola reconheceram o quanto somos devedores a Pe. Humberto Plummen e decidiram homenageá-lo com o nome “Escola Fé e Política Pe. Humberto Plummen”.
Created by sidney
Last modified 08/08/2005 14:30