“FÉ, POLÍTICA E CIDADANIA” FOI O TEMA ABORDADO POR ROBSON SÁVIO, DA REDE DE ASSESSORES DO CEFEP, NO PRIMEIRO CONGRESSO BRASILEIRO DE TEOLOGIA PASTORAL

Professor Robson Sávio da PUC/MG
Professor Robson Sávio da PUC/MG

O professor Robson Sávio de Souza membro da Rede de Assessores do CEFEP foi um dos conferencistas do I Congresso Brasileiro de Teologia Pastoral. O evento foi realizado entre os 3 a 6 de maio de 2021 e contou com a organização da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), pelo Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA), pela Arquidiocese de Belo Horizonte (MG) e pelo Centro Loyola de Fé e Cultura.

Previsto inicialmente para ser realizado em 2020, o Congresso foi adiado por conta da pandemia da COVID-19.

Redefinido o formato, o Congresso trouxe como proposta a reflexão sobre a seguinte formulação: “Discernir a pastoral em tempos de crise: realidade, desafios, tarefas”.

O professor Robson teve oportunidade de falar no dia 04 de maio sobre o tema: “FÉ, POLÍTICA E CIDADANIA: CAMPO DE AÇÃO SOCIOPOLÍTICA E PASTORAL”.

Destacou que o tema permite uma série de abordagens, mas que abordaria 3 recortes:

O primeiro: resgate histórico sobre o que é o movimento eclesial denominado de Fé e Política. No processo de pesquisa realizado, ele descreve a trajetória iniciada a partir dos anos 30 do século passado e cita as principais transformações sofridas ao longo do tempo nesse campo de atuação. A abordagem não se limita a enumerar períodos históricos, mas procura apontar que a forma de organização e a definição das pautas de lutas foram amplamente influenciadas por uma série de fatores sociais, políticos e religiosos que não podem ser ignorados, devido a sua importância para a compreensão exata dos acontecimentos. Sua abordagem histórica finaliza com destaque para a criação do Centro Nacional de Fé e Política “Dom Helder Camara” –CEFEP. Fala também das inúmeras escolas locais e regionais de fé e política espalhadas pelo Brasil, do NESP (da PUC Minas e Arquidiocese de Belo Horizonte), o Iser/Assessoria, o CESEEP; continua listando os movimentos de leigos com ações de mobilização, formação e articulação política: Movimento Nacional de Fé e Política, Pastorais Sociais e organismos eclesiais como a CPT, o CIMI e a rede de leigos que atuam nas Comissões de Justiça e Paz e nos Conselhos de Leigos.

Finaliza esse primeiro momento destacando a criação da Rede Brasileira de Fé e Política – REFEP, ocorrida no final do ano de 2020.

Segundo recorte: realiza uma breve leitura sobre como se encontra e se organiza o campo de Fé e Política ou Fé e Cidadania na atualidade. Mostra que há um vasto trabalho sendo realizado. Esse trabalho concentra-se na melhor articulação e organização das instâncias de formação e ação direta no campo de fé e política, sendo realizados a nível local, regional e nacional na igreja católica brasileira. Ele chama a atenção para as iniciativas de trabalhos em Rede, como as iniciativas realizadas pela Rede de Escolas da Cidadania de São Paulo – REC, da “Escola Regional Padre Humberto Guidotti”, do Regional Nordeste 5 iniciado recentemente e cita o belo trabalho feito pela Escola Regional Padre Humberto Plummen”, vinculada ao Regional Nordeste 2 da CNBB. Essas redes oferecem consistente formação continuada aliada a uma série de serviços complementares como o acompanhamento de políticas públicas nos Estados por ela atendidos.

Terceiro e último recorte: aponta os possíveis desafios que a realidade sociopolítica atual apresenta aos grupos que atuam nesse vasto e complexo campo. Sua análise aponta como primeiro desafio que vivemos uma crise de época. Essa é uma crise sistêmica que engloba num mesmo cenário, crise ecológica, econômica, democrática, do mundo do trabalho e uma crise sanitária. Um segundo desafio, ele demonstra que o Brasil vive uma grave crise no sistema político sofrendo interferências de fortes grupos políticos, econômicos, judiciários e religiosos, além de contar com forte influência de atores internacionais em especial ao governo dos Estados Unidos que protagonizou uma série de interferências na política brasileira e nos países latino-americanos, nos últimos cinco anos.  Robson ainda aponta uma ampliação de práticas violentas por parte da sociedade e do Estado, da criminalização dos movimentos sociais, do aumento significativo da devastação ambiental, da disseminação e propagação da prática de fake news, muito presentes principalmente nos novos meios de comunicação social e ainda o descrédito da Ciência. Aponta ainda para um perigoso e perverso moralismo religioso, centralizado na experiência de base cristã pautada nos costumes e valores, se tornando hoje uma ameaça devido a aliança estreita com o governos populistas de extrema direita que assim como o Brasil, experimentam essa nova forma de governo.

Traz a preocupação da situação atual do país ao apontar retrocesso quanto ao aumento do desemprego, da fome, da miséria, da queda da renda no país e na execução do desmonte das políticas públicas e do estado de bem-estar social que vem sendo amplamente atacado nos últimos anos.

Como contrapartida a esses desafios, Robson Sávio enaltece as iniciativas realizadas pelos vários atores sociais e eclesiais que vêm se articulando para denunciar e combater esses graves crimes que vem sofrendo nosso país. Destaca as notas e manifestações expressas por esses setores, a “Carta ao Povo de Deus”, documento elaborada por um conjunto de Bispos Católicos que se posicionam de modo contrário ao que vem sendo realizado no país. Fala da organização e manifestação de um grupos de padres que atuam conjuntamente, chamados de “Padres da Caminhada”.

Por fim, destaca o trabalho e a vigilância dos vários grupos e atores ligados ao campo de fé e política que se mantem alerta quanto a perseguição realizada por grupos fundamentalistas patrocinados por grupos econômicos nacionais e internacionais que atacam o pontificado do Papa Francisco.

O material utilizado pelo professor está sendo revisado e será publicado futuramente, como resultado das reflexões apresentadas no Congresso.

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