Ativistas brasileiros assassinados no Pará serão homenageados pela ONU
O casal de ativistas brasileiros José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, assassinado no Pará em maio de 2011, receberá um título especial póstumo das Nações
Unidas nesta quinta-feira (9), em Nova York.
A reportagem é do portal Globo Natureza, 08-02-2012.
No mesmo evento, o diretor do Greenpeace para a Amazônia, o brasileiro Paulo Adario, receberá o prêmio "Herói da Floresta" na América Latina e Caribe.
É a primeira vez que a ONU confere
o prêmio, em reconhecimento à contribuição para a preservação da
floresta. Ele será entregue na cerimônia de encerramento do "Ano
Internacional das Florestas", comemorado em 2011.
Além de Adario, a ONU nomeou
"heróis da floresta" na África, Europa, Ásia e América do Norte, depois
de receber 90 indicações, de 41 países. Os escolhidos foram Paul Nzegha Mzeka, de Camerões, Shigeatsu Hatakeyama, do Japão, Anatoly Lebedev, da Rússia, e Rhiannon Tomtishen e Madison Vorva, dos Estados Unidos.
Segundo a ONU,
o Ano Internacional das Florestas oferece a oportunidade de celebrar os
esforços de "inúmeros indivíduos ao redor do mundo que dedicam suas
vidas para ajudar florestas de formas silenciosas e heroicas".
José Cláudio e Maria do Espírito Santo
O
casal foi morto a tiros quando estava em uma motocicleta na estrada de
acesso ao assentamento Praialta Piranhanheira, em Nova Ipixuna. Em
setembro, dois suspeitos foram presos.
O crime foi notícia na
imprensa internacional. No jornal britânico 'The Guardian', o Brasil foi
criticado por 'proteger árvores, mas não pessoas'.
Paulo Adario
"Devo
confessar que [o título] é um pouco embaraçoso já que vem com um título
inspirador, 'Herói da Floresta'. Devemos admitir que ele traz um
reconhecimento pela ONU de que as florestas ainda estão em grante perigo
e que é preciso lutar pela sua proteção. O reconhecimento vai atrair
atenção internacional para proteção da Amazônia", afirmou Adario, de
Nova York.
Entre as contribuições de Adario para
a floresta, as Nações Unidas citam a "assistência para a demarcação e
proteção das terras dos índios Deni" e "a liderança em campanhas de
preservação da Amazônia, com atividades que vão desde reuniões com
representantes da indústria madeireira até expedições dentro da
Amazônia". Concorreram com Adario o jornalista brasileiro Felipe Milanez e a educadora equatoriana Monica Hinojosa.
Paulo Adario
é um dos fundadores do Greenpeace no Brasil. Desde 1992, realiza
expedições para a Amazônia e, em 1998, ajudou a estabelecer o escritório
do grupo ambiental em Manaus. Desde 2001, coordena a Campanha Amazônia,
considerada uma das maiores do Greenpeace no mundo.
Segundo Adario,
o título de "Herói da Floresta" não diminui a preocupação quando ao
futuro das florestas, "vítimas da expansão descontrolada do agronegócio,
da exploração ilegal e predatória de madeira e demais recursos
naturais". Quanto à situação das matas no Brasil, ele se diz preocupado
com a "política contraditória do governo brasileiro".
"Enquanto
no exterior o Brasil vende uma imagem de defensor da Amazônia, ajudado
pelo fato de que o desmatamento vem caindo nos últimos anos, na prática,
várias medidas caminham na contramão desse esforço (...) Áreas
protegidas estão sendo reduzidas pelo governo Dilma, grandes projetos de
infraestrutura estão atropelando a região e a presidente da República
está se omitindo na discussão sobre o enfraquecimento do Código
Florestal, gestado pelos ruralistas no Congresso Nacional”, considerou
ele, em material de divulgação do Greenpeace.
Fonte: IHUOnline

