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Povos indígenas e criação: um Sínodo dos Bispos especial para a região panamazônica

por Pietra Soares última modificação 16/10/2017 14:42

Papa Francisco: “A Igreja não está na Amazônia de malas prontas, como aqueles que vêm explorá-la e vão embora”. Uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região panamazônica será realizado daqui a dois anos, no Vaticano. A Igreja é chamada a “identificar novos caminhos para a evangelização dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta amazônica”.

A reportagem é de Luis Badilla e Francesco Gagliano, publicada por Il Sismografo, 15-10-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É cativante e singular a proposta do Papa Francisco desse domingo, 15, de acordo com suas palavras antes do Ângelus, uma decisão oficial e concreta dele, já sugerida no recente encontro com os bispos do Peru no Vaticano para a sua visita ad limina: um Sínodo dedicado a refletir sobre os povos e nações que vivem na floresta tropical da Amazônia, povos que pertencem atualmente a nove países: Brasil (67%), Peru (13%), Bolívia (11%), Colômbia (6%), Equador (2%), Venezuela (1%), Suriname, Guiana e Guiana Francesa (juntos 0,15%).

Daqui a dois anos, no Vaticano, de acordo com o que o papa disse, a Igreja inteira é chamada a “identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta amazônica, pulmão de grande importância para o nosso planeta”.

Na região amazônica da América do Sul, habitam 2.797.478 indígenas pertencentes a 390 povos autóctones e 137 povos “isolados” (não contatados). São faladas 240 línguas diferentes, que pertencem a 49 ramos linguísticos, os mais relevantes do ponto de vista histórico e cultural.

Essas Igrejas locais têm uma ou mais dioceses amazônicas, particularmente o Brasil, e, desde setembro de 2014, podem contar com o apoio da Rede Eclesial Panamazônica (Repam), nascida em Brasília, em um encontro entre bispos de dioceses que incluem, no seu território, regiões amazônicas, sacerdotes, missionários e missionárias de congregações que trabalham na selva amazônica, representantes de algumas Cáritas nacionais e leigos pertencentes a várias estruturas da Igreja.

Em março de 2015, o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, ao apresentar a Repam em Roma, sublinhou três das suas características:

1) Transnacionalidade: o elevado número de países envolvidos deve ter a consciência de que uma ação eficaz de combate a desafios que vão além das fronteiras de um único Estado requer a sinergia das forças vivas de todas as nações envolvidas: do nível do Secretariado da Repam ao das dioceses e das outras iniciativas da Igreja nos vários Estados, sem esquecer que, desde o início, a Repam trabalha em sintonia com a Santa Sé, o Celam e as suas estruturas.

2) Eclesialidade: além de atuar de modo transnacional, a Repam propõe-se a criar uma colaboração harmoniosa entre os vários membros da Igreja: congregações religiosas, dioceses, Cáritas, várias associações ou fundações católicas e grupos de leigos.

3) Compromisso com a proteção da vida: a Repam nasce para responder a desafios importantes. Está em jogo a defesa da vida de inúmeras comunidades, que, somadas, representam mais de 30 milhões de pessoas. Elas são ameaçados pela poluição, pela radical e rápida mudança do ecossistema do qual dependem e pela falta de proteção de direitos humanos fundamentais. Isso ocorre, por exemplo, quando o desmatamento avança descontroladamente, ou quando projetos de mineração e agrícolas intensivos são iniciados sem consultar nem envolver as populações locais da Amazônia, no respeito pela sua dignidade.

Nessas considerações, estão todos os elementos fundamentais que dão suporte e perspectiva eclesial à sugestão do Papa Francisco e que o principal animador da Repam, o cardeal Cláudio Hummes, enfatizou assim à Rádio Vaticano:

“O Santo Padre Francisco nos encorajou fortemente nessa direção, quando, durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, no Rio de Janeiro, falando com os bispos brasileiros, disse que ‘a Amazônia é um teste decisivo, um banco de prova para a Igreja e a sociedade brasileiras’ e acrescentou um ‘forte apelo ao respeito e à salvaguarda de toda a criação que Deus confiou ao homem, não para que a explorasse rudemente, mas para que tornasse ela um jardim’. E disse ainda: ‘Gostaria de acrescentar que deve ser mais incentivada e relançada a obra da Igreja na Amazônia’. A criação da Rede Eclesial Panamazônica é mais um incentivo e relançamento da obra da Igreja na Amazônia, fortemente desejada pelo Santo Padre. Lá, a Igreja quer ser, com coragem e determinação, uma Igreja missionária, misericordiosa, profética, próxima de todas as pessoas, especialmente dos mais pobres, dos excluídos, dos descartados, dos esquecidos e dos feridos. Uma igreja com um ‘rosto amazônico’ e com um ‘clero autóctone’, como o Papa Francisco propôs no seu discurso aos bispos brasileiros”.

Fonte IHU

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