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PROTAGONISMO DOS LEIGOS

por Pietra Soares última modificação 24/11/2017 16:43
Evolução da consciência laical na Igreja Dom Demétrio Valentini Bispo Emérito de Jales

                 

                A CNBB lançou o Ano Nacional do Laicato, com início oficial no Domingo de Cristo Rei do ano de 2017, até o Domingo de Cristo Rei de 2018.

                Esta iniciativa da CNBB reflete um fato muito significativo. As grandes intuições do Concílio vão sendo retomadas aos poucos, para serem inseridas de maneira mais orgânica e consistente, na caminhada da Igreja em nosso tempo.

                De tal modo que os documentos do Concílio continuam como referências qualificadas, pela natureza conciliar de que estão revestidos. Ao mesmo tempo, as formulações conciliares se concretizam em propostas operativas mais consistentes, na medida em que são confrontadas com os passos que a Igreja vai dando.

            De tal modo que o concílio aparece como um “tesouro”, de onde dá para tirar “coisas velhas e coisas novas”, no dizer do Evangelho (Mt 13, 52).                    

 

      De acordo com os passos que a Igreja vai dando, emerge algum aspecto do Concílio que servem de referência esclarecedora, possibilitando avanços firmes e consistentes.

     Com certeza, assim será também com este “Ano Nacional do Laicato”.

       Assim, podemos dispor das riquezas do Concílio. Elas emergem, na medida de nossas

       E´ o que podemos constatar de novo, a respeito da natureza, e da condição dos leigos e leigas na Igreja.

       Podemos identificar diversos episódios, que ressaltam a importância da vida e da missão dos leigos e leigas na Igreja.

      Em primeiro lugar, convém evocar os diversos contextos dentro do próprio Concílio, onde a identidade cristã dos leigos foi ressaltada.

     Em termos de documentos, temos em primeiro lugar o Capítulo II, da Lúmen Gentium. Ele não estava previsto no esquema preparatório do Concílio. Foi introduzido ao longo dos debates conciliares, quando estava em jogo uma visão de Igreja que fosse “inclusiva”, e não decorrente da dicotomia entre “clero e leigos”. 

     Foi evocada, então, a noção bíblica de “Povo de Deus”, como a mais adequada para fundamentar a identidade cristã que envolvesse a todos, tanto leigos como os religiosos e os membros da hierarquia.

     Esta visão de “Igreja Povo de Deus” veio a calhar tão bem nos debates conciliares, tanto que foi comparada por alguns padres conciliares como equivalente à “revolução copernicana” na teologia sobre a Igreja, em que antes de falar das diferentes situações eclesiais, se afirma a igual dignidade de todos os cristãos.

     Em seguida, a condição dos leigos mereceu todo o capítulo IV da Lúmen Gentium, onde o Concílio começa a tratar dos “fiéis” que são denominados leigos.

     Ainda dentro do contexto conciliar, temos o Decreto sobre os Leigos, que levou o nome de Apostólicam Actuositatem, onde se descreve de maneira mais detalhada a importância dos leigos, sobretudo por sua vocação própria de membros da Igreja e ao mesmo tempo presentes no mundo, como testemunhas de Cristo no cotidiano da vida humana.  Um decreto que decorria das posições teológicas expressas na Lúmen Gentium.

      Através dos diversos sínodos realizados a partir do primeiro, em 1967, muitos temas centrais do Concílio foram retomados como assuntos de Sínodos.

     Foi o que aconteceu o Sínodo realizado na década de noventa, de onde resultou a exortação pós conciliar “Christi Fideles Laici”.

     O impacto mais salutar deste Sínodo sobre os Leigos, foi a mudança semântica que ele produziu. Se falava sempre em “leigos cristãos”, onde a palavra substantiva era “leigo”, e a palavra qualificativa era “cristão”. A ênfase ficou invertida. Em vez de “leigos cristãos”, se passou a falar em “cristãos leigos”, para ressaltar que os leigos, em primeiro lugar, são “cristãos”, que assumem sua vocação e missão na forma leiga de viver esta vocação e missão cristã.

    E assim os desdobramentos do Concílio foram encontrando sua expressão mais adequada.

   A Quarta Conferência Geral do Episcopado Latino americano, realizada em Santo Domingo em 1992, fez eco a esta caminhada, assumindo pela primeira vez, e com insistência, a expressão que falava do “Protagonismo dos leigos”, para explicitar que os leigos, pelo fato de serem plenamente cristãos, têm na Igreja um espaço próprio, também de iniciativas, para empreenderem ações evangelizadoras, sobretudo em ambientes que são mais próprios da vivência dos cristãos leigos.

     Podemos agora evocar outro momento especial, vivido pela Igreja da América Latina. Trata-se da Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino Americano, realizada em Aparecida.

    A síntese dogmática e operativa desta Conferência ficou muito bem identificada e expressa, ao afirmar que, na Igreja, independente da vocação específica de cada um, todos somos “discípulos missionários de Jesus Cristo”.

    A proposta inicial da Conferência era colocar um “e” cumulativo entre as duas palavras: “discípulos e missionários”. Para ressaltar que o cristão integra por igual as duas dimensões de sua identificação com Cristo, se achou melhor suprimir o “e” cumulativo, também para expressar que as duas dimensões são fundamentais e indispensáveis. Tanto que ninguém pode ser missionário, se não for ao mesmo tempo discípulo, e vice versa.

    E agora, dá para conferir como fica o “trem dos leigos”, na estação proposta pela CNBB.

   Ao pensarmos a Igreja em termos de “comunidade”, logo nos damos conta que a dimensão comunitária integra as diversas dimensões da vida cristã. E´ no âmbito da comunidade que encontramos nossa identidade comum de cristãos. E´ também no contexto da comunidade que identificamos a forma que pode tomar nosso compromisso missionário.

       E´ em comunidade que somos discípulos missionários de Jesus Cristo.

       Com nossa presença, e nosso protagonismo, tomamos nossas iniciativas, provocados pela consciência missionária, mas também urgidos pelos apelos que nos vêm da realidade.

      A dimensão comunitária é a mais completa e a mais abrangente referência para situar nossa identidade e nossa missão de cristãos.

       Deus é comunhão. A Igreja é reflexo desta comunhão. Como membros de nossa comunidade, participamos do mistério de Deus, e o propagamos  por nossa missão.

        O cristão leigo participa da vida e da missão da Igreja.

       Foi o que afirmou o Concílio: “Desta maneira aparece a Igreja toda como o povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. ( LG. 4).

 

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