Um primeiro olhar a partir do laicato sobre o Sínodo da Amazônia – artigo de Daniel Seidel

Um primeiro olhar a partir do laicato sobre o Sínodo da Amazônia

Daniel Seidel[1]

Depois de uma semana do Sínodo da Amazônia em Roma e a pedido de instituições e agentes de pastoral da Igreja do Brasil, venho compartilhar minhas impressões iniciais e algumas reflexões.

Em primeiro lugar, agradecer a acolhida aqui nestes dias, pois só foi possível a estadia em Roma com a solidariedade com a qual pude contar para hospedagem e também com quem colaborou comigo para viabilizar a passagem de vinda: muito obrigado e meu reconhecimento.

A Tenda “Amazônia Casa Comum”, organizada principalmente pela Vida Religiosa Consagrada trouxe para perto do Sínodo da Amazônia o clima do Fórum Social Mundial de reflexões e debates profundos. Há uma extensa agenda de atividades que mobilizou a participação principalmente de lideranças indígenas aqui em Roma para que se pudesse ter uma noção do que de fato está acontecendo com os povos indígenas e ao mesmo tempo com a floresta amazônica no Brasil e no continente sul-americano.

Confira a programação clicando abaixo:

CRONOGRAMANA – FINAL 4-1

Esses eventos têm criado uma consciência da importância do Sínodo da Amazônia em seu papel de denúncia internacional das atrocidades que têm ocorrido no bioma. As atividades são realizadas na Igreja da Transpontina, onde é a sede principal da Tenda “Amazônia Casa Comum”, mas também no Centro Internacional da Juventude São Lourenço, na Casa Geral dos Padres da Consolata e na Casa dos Carmelitas, lugares próximos da Praça São Pedro, do Vaticano, para proporcionar aos padres e às madres sinodais, momentos de celebração inculturados e de reflexão “pé no chão”.

A inspiração da Tenda mencionada nasceu da experiência vivida no período do Concílio Vaticano II e daquela vivida em 2007 em Aparecida (SP), quando da realização da 5ª Conferência Episcopal dos Bispos da América Latina e Caribe. Padre Oscar Beozzo foi nosso “guardião da memória”. São iniciativas que procuram demonstrar os impactos da mineração junto aos povos indígenas e à própria Mãe-Terra e mantêm viva a memória das e dos mártires da região. Ontem ocorreu o lançamento do Relatório 2018 sobre Violência contra os Povos Indígenas com a participação de lideranças indígenas e também de Dom Roque Paloschi, presidente do CIMI, por exemplo. São eventos importantes que criam essa consciência da gravidade da situação da Amazônia e a partir daí a nossa responsabilidade enquanto igreja para que possamos então dar respostas ousadas e generosas para a situação que tem sido enfrentada atualmente na Amazônia.

No espaço interno do Sínodo, após os discursos iniciais, houve apresentação e defesa pelos padres sinodais de pontos prioritários do Instrumento de Trabalho do Sínodo, fruto da escuta realizada, com a entrega de textos escritos, com apoio de vários bispos participantes e, assim, as temáticas protagônicas tiveram seu lugar de fala. Na quinta e na sexta-feira ocorreram os pequenos grupos, por língua falada, para facilitar os debates e reflexões sobre os novos caminhos para a Igreja e para a Ecologia Integral.

Daqui temos muitas postagens em algumas páginas das redes sociais da REPAM, tanto Brasil (www.repam.org.br), como da Panamazônica; do CIMI (https://cimi.org.br/sinododaamazonia/), também pelas redes do “VaticanNews” (http://www.sinodoamazonico.va/content/sinodoamazonico/pt/noticias.html); no portal da CNBB (www.cnbb.org.br) e do IHU que criou uma seção própria para acompanhar o sínodo (http://www.ihu.unisinos.br/espiritualidade/sinodo-pan-amazonico). É importante se informar por meio de fontes seguras, visto que há ataques no sentido de desmoralizar o Sínodo deferido por setores que atuaram ativamente no Brasil e em nível internacional para que ocorresse o agravamento da situação da Amazônia, desde o segundo semestre de 2018.

Seguimos pedindo orações em apoio ao Sínodo e ao Papa Francisco, além de uma ativa participação na divulgação das informações verídicas sobre os debates e atividades que estão sendo realizadas em Roma, tendo consciência de checar a fonte da informação e, se houver dúvidas, não compartilhar.

A “esperança paira no ar em Roma”, foi assim que ouvi de um religioso sobre o clima que as atividades do Sínodo e aquelas de seu entorno estão criando por aqui. Nenhum outro Sínodo gerou tamanha mobilização e sensibilidade para que a Igreja possa assumir com coragem seu profetismo na defesa da vida dos Povos e da Amazônia, principalmente dos Povos Indígenas, que, repetindo o papa Francisco, “nunca estiveram tão ameaçados como agora”.

É preciso dizer que os compromissos com a defesa da vida plena, a partir da Amazônia, repercutem na vida de cada pessoa no Planeta, desde a forma de produzir, de se locomover e de se alimentar e, principalmente, de consumir. As conclusões do Sínodo da Amazônia implicarão em compromissos coletivos e particulares de cada pessoa. Você já parou para pensar em sua responsabilidade com a vida no Planeta? Senão, está na hora de começar.

Que a Mãe Aparecida interceda junto ao Criador pela nossa libertação de todas as formas de opressão e escravidão, especialmente no Brasil.

Roma, Itália, 12 de outubro de 2019.

Festa de Nossa Senhora Aparecida!

[1] Daniel Seidel, 52 anos, é cristão leigo, mestre em Ciência Política e membro da CBJP/CNBB e da CJP-DF, da assessoria da REPAM-Brasil, da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política, da assessoria do CEFEP/CNBB e da Comissão Fé e Política do CNLB – Conselho Nacional do Laicato do Brasil.

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