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Votar pela proibição de armas nucleares é votar pelo futuro da Terra

por Pietra Soares última modificação 07/07/2017 10:32

Pela primeira vez na história, um tratado proibindo armas nucleares está na mesa de negociações das Nações Unidas. Uma maioria considerável dos governos deve preencher uma lacuna na lei internacional. O novo tratado pode estar pronto até 7 de julho, mas os Estados Unidos e outros quatro governos que são grandes responsáveis pela paz e pela segurança internacional não estão presentes.

O comentário é de Marie Dennis, co-presidente da Pax Christi International, e Jonathan Frerichs, Conselho Mundial de Igrejas, publicado por National Catholic Reporter, 06-07- 2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Em vez de cumprir as obrigações da Carta das Nações Unidas, em vez de negociar o desarmamento nuclear de boa fé, conforme exigido pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear, em vez de proibir o principal instrumento de violência indiscriminada em uma era de violência indiscriminada, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU estão boicotando as deliberações e até mesmo depreciando seu propósito. Os EUA coagiram seus aliados a não se envolver, incluindo países como Alemanha e Japão.
Que todos os países são responsáveis pela eliminação de armas nucleares é óbvio. Essas armas ameaçam toda a vida e tudo o que é mais precioso na vida. Felizmente, a verdade sobre as armas nucleares está em jogo novamente no mundo todo, devido a uma iniciativa humanitária de cinco anos que mobilizou governos, regiões, organizações internacionais, uma campanha da sociedade civil e religiões mundiais. O ônus é o que as armas nucleares causam a nós e o nosso planeta, e o que devemos fazer a respeito.

A mudança histórica que impulsiona as negociações atuais é que os estados sem armas nucleares estão assumindo a liderança para alcançar um bem público global com base em leis humanitárias internacionais, direitos humanos e meio ambiente. Este mesmo gene majoritário pode salvar o acordo climático de Paris à medida que os cidadãos, cidades e corporações intervêm para cumprir as obrigações que outros abandonaram.

Como podemos entender o não cumprimento do seu dever por parte dos poderes nucleares? Talvez seja algo comportamental. Há evidências de que ter armas nucleares faz com que o governo tenha uma alergia a deixar de tê-las. Os Estados com armas nucleares chegam a ser alérgicos à ideia de que outros Estados possam se unir e torná-las ilegais.

Os sintomas desta alergia são claros. À medida que cerca de 130 estados estão dando os retoques finais ao tratado sobre a proibição de armas nucleares, os Estados Unidos e as demais potências nucleares parecem incapazes de se envolver no mérito no caso de serem realmente inaceitáveis. No entanto, os méritos são justamente o que está motivando a maioria não nuclear a assumir a responsabilidade onde a minoria nuclear não assumiu.

Os membros permanentes do Conselho de Segurança ainda se apegam - em 2017 - aos planos da Guerra Fria que requerem um compromisso inabalável com a destruição nuclear "mutuamente assegurada" e com um "equilíbrio de terror" nuclear.

Olhar para o passado traz ainda mais evidências, incluindo décadas de grandes promessas de desarmamento jamais cumpridas.

Olhar para o futuro mostra mais do mesmo, como planos elaborados de programas de modernização extensiva a custos astronômicos que permitirão a retenção indefinida de todos os arsenais nucleares.

As potências nucleares gostariam que os outros se conformassem com a afirmação de que a capacidade de causar destruição em massa indiscriminada é uma necessidade inescapável para eles, mas de alguma forma não é aceitável para outros estados. Na verdade, não há mãos "certas" para a arma "errada", como muitas vezes já se disse a eles. Nem mesmo o poder extremo torna as armas nucleares algo "certo".

Enquanto isso, especialistas nucleares que se posicionaram contra as armas destacaram o que realmente está em jogo. O general aposentado Lee Butler, ex-chefe do Comando Estratégico dos EUA, sugere que não podemos ter muito crédito por nossa própria sobrevivência. O apocalipse nuclear só foi evitado, diz ele, por uma combinação de habilidade, sorte e intervenção divina.

É razoavelmente claro nas questões humanas que proibir algo ruim é um passo essencial para sua eliminação. Alguns dos mesmos governos que não querem proibir as armas nucleares validam essa lógica ao exigir o cumprimento das convenções contra armas químicas e biológicas de destruição em massa. A maioria também reduziu o uso de minas terrestres e bombas de fragmentação - respeitando suas proibições e seu progresso constante rumo à eliminação.

O século XXI precisa de cooperação e parceria global para lidar com as mudanças climáticas, o desenvolvimento sustentável, a pobreza e a migração em massa. No entanto, trilhões de dólares estão sendo desperdiçados em arsenais nucleares que geram medo, ressentimentos e impasses.

Os estados com armas nucleares devem encontrar a coragem de renunciar às armas nucleares de destruição em massa e fortalecer as leis internacionais em função das suas principais responsabilidades na ONU.

A comunidade mundial está dando um passo crucial para um futuro livre de armas nucleares. Os governos que escolheram não participar estão aderindo ao passado perigoso e irresponsável.

Fonte IHU

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